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15/01/2022 15:28

Derrota de candidato de Maduro em ‘feudo’ de Chávez anima oposição na Venezuela

 O estado de Barinas, berço de Hugo Chávez e antro do Partido Socialista Unido da Venezuela, elegeu na última semana o seu primeiro governador fora do eixo chavista desde 1998. Sergio Garrido, que conquistou 55,3% dos votos, derrubou o adversário Jorge Arreaza, um dos maiores nomes pró-governo da atualidade, e teve a vitória reconhecida pelos canais oficiais do país latino. A trajetória ascendente da oposição ainda é tímida e por enquanto nos municípios, cerca de 100 prefeituras foram “perdidas” para a oposição, e somente quatro dos 23 Estados do país terão governadores que não são ligados a Nicolás Maduro. Para especialistas, a vitória de Garrido sinaliza um estremecimento de Nicolás Maduro, mas tem um papel ainda mais importante: mostrar que as vias democráticas ainda são uma forma possível de derrubar a política autoritária que manda no país.

Democracia nebulosa e intimidações marcaram pleito

Para a professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Regiane Bressan, é difícil encarar a democracia na Venezuela como uma situação de “preto no branco” e taxar o país, que ainda sedia eleições, como uma ditadura sem levantar outros questionamentos. “Prefiro dizer que a Venezuela tem rompido com a democracia, rompido constantemente com o legado democrático, com as regras democráticas, com as normas democráticas, com as instituições democráticas, mas ela não deixa de ser totalmente um estado com certa democracia a partir do momento em que ainda existe eleição, por exemplo. Temos várias nuances, porque nenhum estado de fato, sobretudo na América Latina, vivencia a democracia plena”, analisa. A docente explica que em muitos países, inclusive no Brasil, é possível notar chefes de Estado tentando e conseguindo alterar a Constituição para garantir mais um mandato.

O professor adjunto de Política Internacional da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) Paulo Velasco, lembrou que as últimas eleições foram monitoradas por entidades internacionais e, aos olhos dos mediadores, pareceram ser mais tranquilas do que as anteriores. Ainda assim, um caminho tortuoso foi traçado até que a vitória fosse reconhecida. Primeiro, o Supremo Tribunal de Justiça cancelou a vitória de Freddy Superlano, outro candidato opositor que já tinha ganhado nas urnas o governo de Barinas em novembro, alegando que ele tinha sido “previamente desqualificado”. Com uma nova eleição marcada para janeiro, intimidações pouco sutis do governo de Maduro marcaram presença no distrito. “Há relato do deslocamento de forças militares para o estado, com cerca de 25 mil oficiais na região e da distribuição de benefícios para aqueles que se comprometessem a votar no candidato do governo. A vitória da oposição em Barinas é muito simbólica, mas não é suficiente para dizermos que ela é uma retomada das franquias democráticas na Venezuela”, explica o docente.


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